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As contribuições da UNILA que marcam um ano de enfrentamento da Covid-19 em Foz do Iguaçu

Levantamento traz histórico e perspectivas da atuação da Universidade na região, com parcerias externas e mobilização de toda a comunidade acadêmica

 

Era 18 de março de 2020 quando Foz do Iguaçu registrou o primeiro caso de Covid-19. No início daquele mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia decretado o estado de pandemia, e muita coisa mudou desde então, alcançando dimensão mundial e gerando impactos em nível local. Na UNILA, o ano de pandemia foi marcado por mudanças internas, pelo estabelecimento de parcerias e pelo desenvolvimento de pesquisas voltadas para a crise sanitária do novo coronavírus. Tudo isso com o objetivo de auxiliar a sociedade e dar respostas aos desafios locais que vieram com o período de pandemia. Um período que, na região, foi marcado por fronteiras fechadas, investimentos no sistema de saúde e restrições nos contatos sociais.

Dias antes da confirmação do primeiro caso em Foz, a UNILA já tinha se antecipado e criado o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que teve sua primeira reunião em 12 de março, contando com a participação de docentes dos cursos da área da saúde e de membros das equipes técnicas da Universidade. A primeira decisão do Comitê – de suspensão das aulas presenciais e implantação do regime remoto para as atividades administrativas – ocorreu na mesma semana, no dia 17. A partir de então, um novo cenário foi se formando com representativas mudanças de comportamento social, e grandes desafios começaram a ser enfrentados por toda a comunidade acadêmica, que passou a exercer funções importantes para o enfrentamento da Covid-19 em Foz do Iguaçu e região, disponibilizando auxílio direto à população, seja por ações como o Plantão Telefônico e a Telemedicina (desenvolvidas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde), a produção e doação de álcool glicerinado e de máscaras caseiras, ou na atuação de estudantes em barreiras sanitárias em Foz e também na aldeia Ocoy, em São Miguel do Iguaçu.

Para Flávia Trench, infectologista e professora do curso de Medicina e que atuou na frente de ações como o Plantão Covid-19 e a Telemedicina, “o principal marco da atuação da UNILA no enfrentamento da pandemia em Foz do Iguaçu foi que a Universidade, na figura dos seus professores, técnicos e alunos, saiu dos seus portões e foi diretamente para os cenários de atuação, doando-se para o enfrentamento da pandemia de forma prática, atuante e firme durante todo o tempo”, sintetiza.

Além disso, a UNILA intensificou o estabelecimento de parcerias para o enfrentamento da pandemia. A Universidade passou a contribuir de forma efetiva com estudos para a busca de soluções necessárias para o momento, que exigia inovações tecnológicas que pudessem apoiar as ações humanas. Exemplos disso foram os estudos de professores das áreas de Física e Engenharia de Energia, para o desenvolvimento de projetos de respiradores hospitalares de fácil replicação, antevendo a escassez desse tipo de equipamento frente ao aumento de demandas em UTIs. Também foi desenvolvida uma parceria com a Prefeitura, para a realização de exames de detecção de Covid-19 no Hospital Municipal, onde pesquisadores e técnicos da UNILA montaram o Laboratório de Biologia Molecular fora do campus universitário, ação que envolveu esforços de alunos dos cursos de Biotecnologia, Medicina e do Mestrado em Biociências.

A professora Maria Leandra Terencio, responsável por conduzir as atividades do laboratório, enfatiza que a UNILA foi e está sendo fundamental no enfrentamento da Covid-19 em Foz do Iguaçu, em todos os aspectos: clínico, epidemiológico, laboratoriais, na produção de insumos e de equipamentos de proteção individual (EPIs). “É a Universidade cumprindo seu papel, voltado para as demandas da população, num momento tão delicado e urgente. Houve um engajamento coletivo de todas as áreas da UNILA, cada qual contribuindo com suas competências e suprindo as demandas que foram surgindo”, analisa.

Divulgação do conhecimento científico

Além dessas ações práticas, a Universidade desenvolveu estudos técnicos que foram iniciados desde o início do período de confinamento, como a avaliação constante do impacto do coronavírus na realidade local. A partir do mês de abril, o Grupo de Trabalhode Projeções da UNILA, formado por pesquisadores de áreas múltiplas como Saúde Coletiva, Medicina, Epidemiologia, Biologia, Geografia, Física, Engenharias e Comunicação, começou a produzir relatórios de estudos. Junto com outras iniciativas acadêmicas, o trabalho do GT mostra como a ciência pode analisar os impactos da pandemia na região sob diversos pontos de vista, reunindo conhecimentos interdisciplinares.

O primeiro relatório mostrou que diferentes configurações de restrição de circulação poderiam impactar de forma diferente a trajetória da pandemia. Outro estudo realizado pelo GT foi sobre como a vacinação pode reduzir os custos com UTIs Covid em Foz do Iguaçu. “O GT de Projeções foi, ao longo do tempo, acompanhando toda a situação, trazendo informações à população e também internamente para a UNILA, à medida que nos era requisitado. Nosso trabalho foi discutir dados e apresentar a situação da cidade de uma forma mais clara, trazendo uma nova informação para os dados que são fornecidos pelos órgãos competentes”, explica Elaine Dela Giustina Soares, professora do curso de Ciências Biológicas e integrante do GT.

As informações produzidas viraram elementos estratégicos para disseminar orientações baseadas em evidências e minimizar os impactos negativos provenientes de notícias sem comprovação científica, que são amplamente divulgadas em redes sociais. A professora Maria Leandra analisa que a ciência brasileira tem vivido um período duro, representado por cortes de investimentos, resistência e ataques ao conhecimento científico. “Como aprendizado desse período, espero que fique a percepção coletiva sobre os benefícios da ciência em todos os aspectos, principalmente no impacto que ela tem na promoção de qualidade de vida no mundo”, diz ela.

Também com esse foco, a UNILA disponibilizou importantes ferramentas em seu site institucional, como uma página destinada exclusivamente a divulgar medidas de enfrentamento da epidemia, que reúne notícias e informes relacionados ao tema (https://portal.unila.edu.br/informes-coronavirus/coronavirus). Na página, está disponível o Painel Covid-19 Foz do Iguaçu, onde é possível consultar Histograma de casos (gráfico interativo que mostra o avanço de casos na cidade e as ações implementadas no combate à pandemia, como a emissão de decretos municipais), a Taxa de Ocupação dos Leitos de UTI (que faz uma relação com a média móvel de casos ativos na cidade) e uma Linha do Tempo com ações implementadas pela UNILA durante esse período. Todos esses tópicos são abastecidos em tempo real, com base em dados fornecidos por fontes oficiais externas, passando pela análise de docentes e pesquisadores do GT de Projeções da UNILA e com apuração jornalística realizada por profissionais da área que atuam na Universidade.

Além das ações internas realizadas pela UNILA e das parcerias estabelecidas, como a ampliação da oferta de exames realizados na cidade com o apoio da instituição, o período também foi marcado por questões externas. Essas questões mudaram a dinâmica da região e da rede de atendimento a casos de Covid-19, como a emissão do decreto de situação de urgência pela Prefeitura; as medidas para estabelecimento de lockdown com restrição de serviços, limitando-os à oferta daqueles que são considerados como essenciais; as mudanças de protocolo de registo de casos; e a ampliação da oferta de leitos de UTI por parte da Prefeitura.

 

Aprendizados com os novos desafios

A chegada da pandemia trouxe diversos aprendizados e a percepção de que o mundo não está muito preparado para desafios dessa natureza. Porém, a necessidade de vencer esses desafios é tão representativa como a necessidade de sobrevivência, o que leva à sensação de superação e ao entendimento de que é preciso mudanças para seguir em frente. Um exemplo disso foi a necessidade de adaptação ao Ensino Remoto Emergencial (ERE), medida aprovada pelo Conselho Universitário da UNILA em 14 de agosto e que foi implementada no mês seguinte. Desde então, estudos continuam a ser realizados para analisar a viabilidade de retorno às aulas presenciais, levando em conta o número de casos e a ocupação de UTIs, assim como a disponibilidade de vacinação que foi iniciada em Foz do Iguaçu em 20 de janeiro.

Dentre os principais aprendizados durante o período, Flávia Trench destaca que a UNILA tem um conjunto de cérebros tecnicamente capacitados que pode atuar em conjunto com a população de Foz do Iguaçu e suas instituições, para tornar a cidade e a região um lugar melhor para todos e para as futuras gerações. “Acho que a cidade de Foz do Iguaçu e toda a nossa região têm que se apropriar da UNILA e, esta, da sua cidadania iguaçuense. É preciso ampliar cada vez mais essas parcerias entre a Universidade e a cidade, nas mais diversas áreas, permitindo que o conhecimento saia do universo teórico para o mundo prático.”

Elaine Soares aponta outro aspecto de aprendizado, especialmente para o GT de Projeções, que foi estabelecer a relação de interdisciplinaridade, já que o grupo conta com um corpo docente com formação muito diversificada. “Foi uma interação bastante produtiva. A gente aprendeu muito com os colegas, trocou muita experiência. E acho que isso tem impacto na população local no sentido de que todos nós conseguimos pensar esse problema de forma um pouco mais ampla”, destacou.

Momento de atenção e não de relaxamento

Não é hora de relaxar com as medidas de proteção. Esse é o principal alerta de especialistas da UNILA, principalmente no momento em que se percebe o aumento de número de casos confirmados e de alta na ocupação de UTIs nos hospitais. A mensagem unânime de todas essas profissionais entrevistadas é de ter paciência para esperar a vacina, manifestar-se a favor dela e não desistir dos cuidados. Para Maria Leandra Terencio, o que deve prevalecer é que o pensamento coletivo seja maior que as preferências individuais. “Recomendo que cada um continue fazendo a sua parte, seguindo as regras de controle e prevenção”, diz a pesquisadora da área de Biotecnologia.

A pesquisadora Elaine Soares reforça que é importante perceber que todos podem ser considerados como potenciais fontes de infecção. “Se eu me trato e trato os outros como potenciais fontes de infecção, é mais fácil eu entender a necessidade de manter a minha máscara, o distanciamento, a higienização”, explica ela, alertando que o perfil das pessoas internadas atualmente mudou em relação ao início da pandemia: “Em janeiro, concluímos um relatório mostrando que a gente conseguiria reduzir em até 80% dos óbitos com a vacinação, para pessoas acima de 60 anos. Porém, agora a gente tem um perfil completamente diferente, em que as faixas etárias mais jovens também começaram a não resistir aos sintomas mais graves da doença. Na semana passada, a gente tinha 10% dos óbitos relacionados a pessoas de até 39 anos.”

Para a infectologista Flávia Trench, não se trata de uma segunda onda da Covid-19, mas sim de uma onda única que vem desenvolvendo sua força desde o início, há um ano. “Não tivemos, em Foz do Iguaçu e no Sul do país, um momento de sossego, de dizer que os casos estavam tranquilos para que pudéssemos chamar de segunda onda”, sugere ela, que entende que a vacina é a grande arma que vai refletir no número de casos graves e de mortes, de forma significativa. E para isso ela aponta que é necessário investir na vacinação em massa, principalmente para a população considerada de risco, além de dar continuidade à pesquisa de medicações que sejam efetivas em prevenção e tratamento cientificamente comprovados.

O controle da pandemia, para Flávia, depende de como cada um vai enfrentar de forma individual e passar por essa experiência coletiva. “Então é cuidar para evitar a infecção, porque realmente está pesado para o pessoal que está na assistência direta, nas UPAs, nos prontos-socorros, nas enfermarias e UTIs, nos laboratórios, nos setores de imagem e de fisioterapia. Se cuidar para evitar a infecção e para evitar que, com o assoberbamento dessas estruturas, ocorra um colapso e chegue uma situação que a gente não quer: de não poder ofertar um leito ou um atendimento a uma pessoa, simplesmente pela falta de vagas”, finaliza.

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