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É Verão! Chegou a estação das Pedras nos Rins?


Na temporada de calor a alimentação rica em sal e gordura, o suor e a ingestão de pouco líquido saudável aumentam em até 30% os casos de Pedras nos Rins.

Mais um verão brasileiro se inicia! Conforme dados recentes do Inmet, Instituto Nacional de Meteorologia, desta vez teremos chuvas irregulares e temperaturas mais elevadas devido ao El Niño (fenômeno que aquece as águas do Pacífico e altera as temperaturas climáticas). Em meio a tanto calor, a expectativa é de momentos de diversão e lazer entre a família e amigos. A data, bastante sugestiva, precede o recesso de Natal e Ano Novo, e antecipa um mês inteiro das férias escolares, ou seja: a estação mais quente do ano traz consigo motivos de sobra para ser eleita como a melhor temporada de todas!

No entanto, hábitos alimentares que as pessoas adotaram ao longo do ano podem resultar em problemas de saúde durante o verão, como a Litíase Urinária: as famosas Pedras nos Rins. No verão há maior produção de suor, que é a liberação de líquido por outras vias que não a urinária. Há também a ingestão de comidas mais salgadas, como churrascos, condimentos, industrializados e refrigerantes. Sem falar no aumento da intensidade de práticas de exercícios físicos, fatores que contribuem para a formação das pedras, também conhecidas por Cálculos Renais, ou ainda para o deslocamento e eliminação das previamente formadas.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que nos meses de calor os casos de pedras nos rins crescem 30% em média. Segundo o médico urologista de Foz do Iguaçu, no Paraná, Dr. Gustavo Cruz, é fundamental manter-se bem hidratado. “É importante controlar a ingestão de sal, carnes e proteínas de origem animal neste período como prevenção, mas, o essencial é hidratar-se bem mais do que o normal”, alerta.

Dados da Associação Europeia de Urologia apontam que uma em cada dez pessoas irá formar um Cálculo Renal ao longo da vida e que a proporção é de que a cada quatro pessoas que desenvolverem o problema, três serão homens.

Os rins são como dois filtros do sangue: além de água para formar a urina, eles retêm diversos elementos, como cálcio, ácido úrico e oxalato. Quando essas moléculas aparecem em grande quantidade e há pouco líquido para dissolvê-las, surgem cristais ou agregados que se juntam e viram os cálculos, que podem chegar a 2,5 centímetros. “O sistema de produção de pedras depende de algo chamado saturação da urina: quanto mais água tiver o organismo, mais diluída ficará a urina e menos chances terá de formar os cristais. Quando a urina é muito saturada, ou seja, com uma grande quantidade de minerais, eles acabam se juntando e formando entre si os cálculos. O ideal é que todos os minerais estejam ligados com a água e não entre si, pois estando com a água, eles dissolvem, se estiverem ligados entre si formarão pequenos cristais e darão início à formação das pedras”, explica dr. Gustavo.

Para verificar se está tudo bem, é importante ficar atento à própria urina, “o correto é que a urina esteja da cor da água. Se estiver amarelada significa que os rins não estão trabalhando normalmente. Nesses casos, é preciso aumentar o consumo de água. Quanto mais água for ingerida, maior será a possibilidade de eliminação dos cristais que formam as pedras, “dependendo do tamanho, os cálculos podem se instalar na bexiga, na uretra e nos ureteres. Podem ainda passar através das vias urinárias com uma textura parecida com a de pequenas “areias” e ser expulsos na urina ou ainda ficar retidos, tornando necessária a cirurgia”, explica Dr. Gustavo.

Sintomas

Poderão surgir sintomas, como: náuseas e vômitos; hipersudorese (transpirar abundantemente); dificuldade ou dor ao urinar; necessidade urgente de urinar; urinar mais vezes do que o habitual; sangue na urina; e febre, mas o sintoma mais comum das Pedras nos Rins é a dor, chamada de cólica renal, que é o resultado da descida e passagem do cálculo através das vias urinárias. “É uma dor muito intensa que aparece na metade inferior das costas, na cintura ou nas costelas, podendo também ir até à região genital, no entanto é importante ficar atento, porque há casos em que a doença manifesta-se sem apresentar dor”, explica o especialista.

Um exemplo disso é o caso da paciente E. K, de 50 anos, que realizou recentemente uma nefrolitotripsia percutânea para retirada dos cálculos renais. “Comecei a sofrer de cálculos a partir dos 20 anos, isso quer dizer que foram quase 30 anos. Eu nem sabia que tinha cálculos, nunca senti dor alguma. Só descobri depois de uma tomografia por causa de um tumor intestinal, e nessa tomografia apareceram os cálculos”, conta. No caso dela a falta de hábito de beber água era um problema de família, “não gosto de água, e preciso fazer um esforço enorme pra beber. Só tomava chimarrão pela manhã e o restante do dia passava sem beber mais nada, agora que comecei a melhorar isso a pedido do Dr. Gustavo e estou caprichando com dois litros de água por dia”, comemora.

Em caso de sintomas ou dúvidas, é fundamental procurar por um urologista, que é o médico que fará o diagnóstico, e, se necessário for, o tratamento:

O diagnóstico será realizado a partir de análises ao sangue; à urina; radiografia do abdômen; ecografia renal e outros exames que o médico julgar necessário.

O tratamento vai depender do tamanho do cálculo, da sua composição (do tipo de mineral que o constitui) e das possíveis complicações que lhe possam estar associadas (por exemplo, se o cálculo tiver uma infeção associada). Os cálculos pequenos poderão ser expulsos na urina, sem intervenção. Já os maiores poderão necessitar de tratamento ou cirurgia.

Como prevenir a formação de Pedras nos Rins?

Beber mais de 2 litros de água por dia (exceto durante os episódios de dor, que pode agravar o problema);

Reduza a quantidade de sal e proteína animal;

Evite comidas ricas em oxalato (tipo mais comum de cálculo), como, morango, uva, espinafre, nozes, batata-doce e chocolate;

Evitar ou diminuir o consumo de alimentos processados ricos em sódio, como macarrão instantâneo, caldos prontos, sopas de pacote, refrigerante e sucos artificiais;

Dependendo do diagnóstico, seu médico poderá ainda recomendar alguns medicamentos específicos que ajudam a prevenir a formação de cálculos renais.

Dica!

Sucos cítricos

O citrato, presente nos sucos cítricos, funciona como um elemento que evita a formação de cálculos renais. Ao impedir que os elementos formadores de pedras (oxalato, cálcio e fósforo) se juntem para formar as pedras, ele faz com que, separados, sejam expelidos pela urina.

“É como se fosse aquela brincadeira antiga, a “dança da vassoura”, onde os elementos são os meninos, a água são as meninas e o citrato é a vassoura. No caso de uma pessoa que bebe pouca água, haverá menos meninas e a vassoura (no caso, o citrato) servirá para impedir que os meninos dancem sozinhos, ou seja, o citrato evitará que os elementos se juntem e formem as pedras”, exemplifica e finaliza o especialista.

(Assessoria)