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A influência africana na arquitetura brasileira

Pesquisadora debate a influência africana na arquitetura brasileira no programa ¿Qué Pasa?

Andréia Moassab fala a respeito do livro sobre arquitetura africana e acerca de questões de políticas públicas da área relacionadas à região de fronteira:

A Arquitetura é uma área, muitas vezes, marcada por glamour da profissão e por projetos estéticos ousados e cercados de altas tecnologias.

Mas também tem um lado muito humano e que envolve técnicas seculares desenvolvidas por várias civilizações, resultado de vivências que muitas delas não estão necessariamente atreladas ao conhecimento ocidental que domina a maioria dos atuais modelos de construções.

Técnicas como cantaria (construção com pedras), pau a pique e taipa de pilão

São exemplos de influências do continente africano, que trouxe ao Brasil também outras formas de habitar, como o costume de construir cozinhas separadas do restante da casa.

Esse é o tema de pesquisa da arquiteta e docente da UNILA Andréia Moassab, que explica que a arquitetura africana não se restringe a técnicas milenares, mas a formas contemporâneas de construir.

Para os pesquisadores, trata-se de um estudo inédito e urgente em português, resultado de mais de dez anos de pesquisa.

Ela acredita que o trabalho é para a arquitetura em geral, pelos métodos inovadores que propõem, e para os interessados ​​em discutir a arquitetura africana, muito longe dos estereótipos eurocêntricos que prevalecem na área, e o define como importante.

“Acreditamos que a importância desse tipo de pesquisa é saber como os espaços de convivência e privacidade da casa e as relações de vizinhança se definem em diferentes configurações e contextos.

Sendo assim, pelo que entendi, trata-se de estudar os estilos de vida das pessoas, “um arquipélago na costa da África Ocidental”.

Neste episódio do “Qué pasa?”

Andreia Moassab observa que são poucos os cursos no Brasil que discutem as contribuições africanas para a arquitetura e a UNILA é pioneira nesse sentido.

Ela lembra que, principalmente em cidades pequenas, os afazeres domésticos são feitos fora de casa, e a questão tem influências indígenas e africanas.

Além disso, destaca que estes últimos foram considerados excelentes mineiros e trouxeram consigo o conhecimento das técnicas de construção de construções de terra, somando-se a isso o conhecimento dos povos nativos que construíam com árvores e folhas.

 

Economia construtiva

Desta forma, podemos falar de uma arquitetura favorável que garante uma economia construtiva.

“Temos terra em todo o lado, não dependemos de produtos industriais, e quando descartamos este tipo de material, volta a ser terra e é sustentável porque pode voltar à natureza.

Pelo contrário, frisa, “é possível ocupar até aterros sanitários.”

“Todo o Brasil sabe construir com terra, que é uma mescla do continente africano com uma pequena influência portuguesa e também indígena”,

Portanto, reforçando que falar da arquitetura africana não se resume a identificar um ou outro detalhe para não se reduzir todo o conjunto de saberes a uma questão estética.

“Mais importante do que identificar a arquitetura africana a partir de determinados elementos, é identificar o que vem da África como hábito de construir”

Lembrando ela que os primeiros arquitetos formais do Brasil são contemporâneos aos primeiros arquitetos formais do continente africano.

Na região da Tríplice Fronteira

 

Comentou-se também estudos realizados nas comunidades ribeirinhas nas cidades com a população que vive nas margens dos rios Iguaçu e Paraná.

Portanto,  trazem a perspectiva de que não são essas comunidades que causam danos ambientais aos rios, mas que, ao contrário, essa população se caracteriza como agente de preservação ambiental.

“As legislações feitas nos grandes centros urbanos trazem que é preciso preservar os corpos d’águas e os rios de qualquer presença humana. São legislações nacionais que muitas vezes quando aplicada a uma realidade como a de Foz do Iguaçu, acaba expulsando essas populações das margens dos rios. Na verdade, a especulação imobiliária não vai progredir enquanto essas comunidades forem totalmente orgânicas. ”

Andreia Moasab explica como essas comunidades aprenderam com a natureza e sua arquitetura, e como essas comunidades aprendem com a natureza e sua arquitetura ao evacuar moradores ribeirinhos para dar lugar a projetos como o Beira Rio.

Ela e a pesquisadora da Columbia University, Patrícia Anahory publicaram o livro Panorama da Arquitetura Habitacional em Cabo Verde.

“Devemos ver como a água é construída em torno do espaço forma-se, dando origem a hortas e plantas medicinais”

“Muitas vezes, a solução oferecida pelo Estado é tirá-los de lá, mas deve-se garantir que eles permaneçam em boas condições para que os esforços de conservação possam continuar. Requer um ambiente digno com acesso a água e eletricidade”. infraestrutura para coleta de lixo e para melhorar a habitabilidade da própria casa.

 

Questões sobre a consistência das soluções dadas pelo poder público em questões específicas

como a expulsão de moradores de seus quartos para conjuntos habitacionais padrão, sem considerar os detalhes das questões envolvidas.

E relembrou um projeto de construção de uma escola na Villa Yolanda, perto da Praça Arroeiras, argumentando que seria possível deixar as árvores para dar lugar a um espaço e uma escola.

“A prefeitura tem que aprender a solicitar obras com outros materiais”

É pequena porque a escola primária local é grande. Seria uma grande experiência construir uma escola de barro direto na praça. “A comunidade escolar pode levar o debate sobre sustentabilidade na arquitetura, mas é um caminho que tudo precisa ser construído”, analisa.

E ela argumenta que as universidades públicas devem ficar do lado do povo nesse conflito e canalizar o poder público para esse fim.

Fonte: Imprensa Unila;

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