Plano para 2026 a 2028 prevê fronteira inteligente, uso de tecnologia, gestão de riscos e integração entre os pontos de fiscalização
Transformar Foz do Iguaçu no principal laboratório nacional de inovação aduaneira terrestre. Esse é o objetivo do plano de gestão da Alfândega da Receita Federal no município para o triênio 2026 a 2028.
A proposta pretende consolidar um modelo de fronteira inteligente, baseado em conformidade, gestão de riscos, tecnologia, integração institucional e valorização dos servidores.
O plano foi apresentado à Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), durante a primeira reunião ordinária do Conselho Superior. O encontro ocorreu na quinta-feira, 3, e contou com a participação de dirigentes, conselheiros, diretores, associados e do prefeito Joaquim Silva e Luna.
Receita Federal prevê transformação no modelo de atuação
A apresentação foi conduzida pelo delegado da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu, Marcelo Mossi Vendramini, e pelo delegado-adjunto, Fabiano Diniz.
Segundo os representantes, a unidade entra em um momento de transformação institucional, marcado pela operação de novas aduanas, pela implantação do novo porto seco e pela revitalização da Ponte Internacional da Amizade.
A proposta é substituir gradualmente um modelo baseado na fiscalização presencial e massiva por uma atuação orientada por informação antecipada, inteligência, automação e gestão de riscos.
Mudanças previstas
O modelo atual é caracterizado por:
- Abordagem massiva e presencial;
- Fiscalização física generalizada;
- Intervenções manuais no fluxo de veículos e mercadorias;
- Foco predominante na estrutura física.
A nova estratégia prevê:
- Uso de informação antecipada e inteligência;
- Fiscalização seletiva, baseada em riscos;
- Automação dos procedimentos;
- Monitoramento remoto;
- Estímulo à conformidade;
- Facilitação dos fluxos legítimos.
Desenvolvimento econômico e geração de renda
Para Marcelo Mossi Vendramini, as mudanças previstas devem fortalecer a atuação da Receita Federal e contribuir para o desenvolvimento de Foz do Iguaçu.
“Quando a Receita Federal faz o seu trabalho determinado em seu planejamento estratégico, o desenvolvimento acontece. Ao cumprir nossa missão, a gente estimula um ambiente de negócios capaz de produzir desenvolvimento e gerar renda no município”, afirmou.
Fabiano Diniz explicou que, entre 2026 e 2028, a Alfândega de Foz do Iguaçu deixará de concentrar seus esforços apenas na implantação de estruturas físicas. A unidade passará a liderar uma transformação no modelo de atuação aduaneira terrestre do país.
“A nova visão é fundamentada em conformidade, informação antecipada, inteligência, tecnologia, gestão de riscos e facilitação dos fluxos legítimos, estabelecendo um paradigma nacional para as fronteiras do futuro”, resumiu.
ACIFI pede reforço no combate ao contrabando
O presidente do Conselho Superior da ACIFI, João Batista de Oliveira, parabenizou a Receita Federal pelo plano de gestão.
O dirigente também defendeu o aumento da fiscalização contra o contrabando e o descaminho. Segundo ele, as atividades ilícitas e a informalidade prejudicam a economia formal e afetam empresas associadas e não associadas à entidade.
Prefeito destaca complexidade da Tríplice Fronteira
Para o prefeito Joaquim Silva e Luna, as ações previstas para o triênio formam um projeto ousado, necessário e alinhado ao futuro de Foz do Iguaçu.
“Estamos na mais complexa tríplice fronteira, queira ou não queira, do continente. Complexa em todos os sentidos, por isso é preciso de ousadia e coragem”, ressaltou.
Oito eixos estratégicos da Receita Federal
O plano de gestão da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu está organizado em oito eixos estratégicos.
1. Consolidação das novas aduanas e transformação dos modelos operacionais
A estrutura física da Aduana da Ponte da Integração e da nova Aduana da Ponte Tancredo Neves está concluída.
O próximo desafio é consolidar os modelos operacionais e transformar as unidades em referências nacionais de fronteira inteligente.
2. Fronteira inteligente, conformidade e gestão de riscos
O eixo envolve as três aduanas da região e prevê a migração de uma abordagem massiva para um modelo baseado em informação antecipada, gestão de riscos, conformidade, automação, inteligência e fiscalização seletiva.
3. Modernização da Aduana da Ponte Internacional da Amizade
Com a migração das cargas para a Ponte da Integração, a Ponte Internacional da Amizade deverá evoluir para um modelo voltado ao turismo, à fiscalização de bagagens e ao controle baseado em inteligência.
A proposta é inspirada no conceito de “Aeroporto sem Avião”.
4. Porto seco e logística aduaneira
O plano prevê a consolidação do novo porto seco e o aprimoramento da gestão de mercadorias apreendidas.
5. Enfrentamento ao contrabando, descaminho e ilícitos transfronteiriços
A Receita Federal pretende criar um Centro Integrado de Enfrentamento, que funcionará como uma segunda camada de controle em localização estratégica.
A estrutura terá como objetivo reprimir fluxos ilícitos que utilizam rotas alternativas, pontos de transbordo e estruturas logísticas fora dos pontos oficiais de fiscalização.
6. Pessoas, liderança e cultura organizacional
O eixo busca fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar a confiança dos servidores na instituição e nos projetos da unidade.
7. Governança patrimonial e projetos estruturantes
A proposta é transformar imóveis desocupados em ativos estratégicos para o desenvolvimento turístico e institucional da fronteira.
O eixo também prevê a viabilização de outros projetos de interesse da Receita Federal.
8. Conhecimento, inovação e replicabilidade nacional
Entre as iniciativas previstas estão a criação de uma Universidade Corporativa de Fronteiras e de um Laboratório Nacional de Inovação.
A intenção é testar, validar e replicar regionalmente as soluções desenvolvidas em Foz do Iguaçu.
Fronteira em números
A área de jurisdição da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu apresenta os seguintes números:
- 50 mil veículos por dia nos principais pontos de fronteira;
- 126 mil pessoas por dia em trânsito internacional pelas pontes;
- 2,5 milhões de passageiros por ano no aeroporto;
- 215 mil veículos por ano de transporte internacional de carga no porto seco;
- US$ 5,3 bilhões movimentados por ano na corrente de comércio.
Fonte: Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu.



