A relação entre a atividade turística e a compensação de emissões de gases de efeito estufa voltou a ser pauta central no setor. O tema, que hoje domina fóruns globais de sustentabilidade, teve um de seus marcos iniciais em solo paranaense, durante o Festival Internacional de Turismo das Cataratas (FITCataratas) em 2007.
Atualmente, profissionais e líderes do setor participam da Imersão Executiva para Líderes, em Foz do Iguaçu. O evento, promovido pelo Viaje Paraná, utiliza esse histórico de vanguarda para discutir inovação, novos modelos de negócios e a transição para uma economia de baixo carbono.
O pioneirismo do FITCataratas na sustentabilidade
A origem dessa reflexão técnica remonta a quase duas décadas. Em 2007, o Fórum Internacional de Turismo do Iguassu recebeu o estudo científico intitulado “O ecoturismo é possível em áreas destinadas a projetos de sequestro de carbono?”.
A pesquisa foi assinada por José Manoel Gândara, Oswaldo de Castro Ramos Júnior e Simone Eloisa Villanueva de Castro Ramos. Segundo a pesquisadora Jaqueline Gil, coordenadora da imersão atual ao lado de Marta Poggi, a proposta foi pioneira no Brasil e praticamente inédita no cenário mundial da época.
O estudo abriu caminhos para conectar o fluxo turístico ao financiamento de sumidouros de carbono, permitindo o investimento em projetos que absorvem gases causadores do efeito estufa.
O desafio da transição para o turismo de baixo carbono
Jaqueline Gil, que finaliza doutorado na Universidade de Brasília sobre o tema, ressalta que o setor vive um momento de transição. Embora a redução direta de emissões em transportes e hotelaria ainda enfrente barreiras tecnológicas e operacionais, a outra ponta do processo oferece oportunidades imediatas.
A estratégia atual foca na ampliação dos sumidouros de carbono. O potencial do turismo está em ajudar a financiar e manter áreas que capturam o carbono da atmosfera, transformando a preservação ambiental em um ativo econômico e turístico viável.
Ecoturismo como ferramenta de desenvolvimento
O artigo original de 2007 já defendia que o ecoturismo é perfeitamente viável em áreas de preservação e sequestro de carbono, desde que siga três pilares fundamentais:
- Planejamento rigoroso com baixo impacto ambiental.
- Envolvimento e respeito às questões sociais.
- Geração de renda real para as comunidades locais.
Além de mitigar danos climáticos, a atividade contribui para fixar populações em suas regiões e fortalecer o desenvolvimento sustentável regional. O que antes era uma tese acadêmica apresentada no Paraná, hoje consolida-se como a principal tendência para o futuro do turismo global.



