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Pesquisa da UNILA revela que pontos de ônibus em Foz do Iguaçu oferecem risco à saúde

Um estudo realizado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) acendeu um alerta sobre as condições de infraestrutura urbana em Foz do Iguaçu. A pesquisa sobre conforto térmico aponta que os abrigos de passageiros na cidade não estão preparados para os extremos climáticos da região, registrando temperaturas que podem comprometer o bem-estar dos usuários.

Diariamente, quase 20 mil pessoas dependem do transporte coletivo no município. Segundo Guilherme Mella dos Santos, autor do estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, a sensação térmica nos pontos de espera intensifica o desgaste físico e representa um perigo real, especialmente durante o verão.

Temperaturas extremas e superfícies escaldantes

Durante o trabalho de campo, o pesquisador catalogou mais de 1.200 pontos de ônibus, identificando 16 tipos de estruturas diferentes. As medições técnicas, realizadas com câmeras termográficas e sensores de precisão, revelaram dados alarmantes sobre o calor retido pelos materiais:

  • Asfalto no entorno: 70° C
  • Calçadas próximas: 60° C
  • Cobertura dos abrigos: quase 60° C

A conclusão do estudo é direta: os modelos atuais são desconfortáveis e prejudiciais. Os materiais utilizados acumulam calor excessivo e a falta de vegetação ao redor agrava o problema, criando ilhas de calor que castigam quem aguarda pelo transporte.

Metodologia: cruzamento de dados reais e simulações

O estudo utilizou uma abordagem tríplice para garantir a precisão dos resultados. Além das medições diretas de temperatura e umidade, a pesquisa ouviu os usuários e utilizou tecnologia de ponta para simulações digitais.

Entre agosto e outubro, 96 passageiros responderam questionários sobre sua percepção térmica. O relato foi unânime: a maioria sente calor extremo no verão e frio intenso no inverno. Complementando os dados, o software ENVI-met foi utilizado para criar modelos digitais e testar como diferentes configurações de rua e pavimentação influenciam o microclima local.

Soluções sustentáveis e de baixo custo

Para enfrentar o problema, a pesquisa propõe melhorias baseadas em estratégias bioclimáticas. Segundo o orientador do estudo, Egon Vettorazzi, o objetivo é reduzir a exposição ao calor, melhorar o bem-estar e incentivar o uso do transporte público.

A proposta inclui a criação de dois modelos de abrigos adaptados à orientação solar:

  1. Modelo Leste-Oeste: Possui fechamento frontal parcial para garantir sombra nos horários de nascente e poente.
  2. Modelo Norte-Sul: Mantém a fachada aberta para favorecer a circulação cruzada do ar.

Ambos os projetos sugerem a implementação de telhados verdes, plantio de árvores nativas, uso de pisos claros que refletem a radiação e fechamentos laterais em vidro para proteção contra chuvas. De acordo com as simulações, essas mudanças poderiam reduzir a temperatura interna dos abrigos em até 6° C.

O impacto no planejamento urbano de Foz do Iguaçu

Este estudo dialoga com um relatório técnico de 2024 do Grupo de Pesquisa em Mobilidade e Matriz Energética (GPMME), que já apontava a precariedade dos pontos como um dos maiores gargalos do sistema de transporte na cidade.

O próximo passo dos pesquisadores é construir protótipos dessas novas estruturas para apresentá-los à Prefeitura de Foz do Iguaçu. Além do benefício local, o trabalho preenche uma lacuna acadêmica importante, já que a produção científica brasileira sobre conforto térmico em paradas de ônibus ainda é escassa em comparação a outros países.