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Sementes piratas geram prejuízo de R$ 10 bilhões por ano ao mercado brasileiro

Uso de materiais ilegais e sem qualidade reduz o potencial produtivo das lavouras e preocupa o setor de sementes

O mercado brasileiro de sementes deixa de movimentar cerca de R$ 10 bilhões por ano em razão do uso de sementes piratas. A estimativa foi apresentada durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Além das perdas econômicas para empresas responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias agrícolas e para a arrecadação de impostos, o comércio ilegal também afeta diretamente a produtividade das lavouras.

Sementes de qualidade são decisivas para a produção

A avaliação foi apresentada pelo presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Paulo Pinto. Segundo ele, é necessário ampliar a conscientização dos produtores sobre a importância do uso de sementes legais e com procedência conhecida.

A semente é a base para a implantação da lavoura e pode influenciar boa parte do resultado obtido ao longo da produção.

“Todo o sucesso do agronegócio brasileiro começa no uso de sementes legais e de boa qualidade”, afirmou Paulo Pinto.

De acordo com o presidente da Abrasem, o uso de sementes piratas pode provocar prejuízos já no início do cultivo. As falhas na emergência das plantas podem chegar a 10%, 15% ou até 20%.

Preços baixos podem agravar o problema

O cenário de preços mais baixos das commodities e a redução da rentabilidade dos produtores podem aumentar o uso de materiais ilegais.

Na tentativa de diminuir os custos de produção, alguns agricultores acabam economizando justamente na compra das sementes. Com isso, optam por materiais de baixa qualidade ou sem a devida regularização.

Esse tipo de escolha pode comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o potencial produtivo e gerar perdas ainda maiores durante a safra.

Rio Grande do Sul tem alta incidência de sementes ilegais

O Rio Grande do Sul é apontado como um dos estados que enfrentam os maiores problemas relacionados ao uso de sementes ilegais. Segundo a avaliação apresentada no congresso, a utilização de sementes piratas no estado supera 40%.

As dificuldades foram agravadas pelos problemas climáticos registrados nas últimas safras. A redução da capacidade de investimento dos produtores estimulou, em alguns casos, a prática de guardar sementes para os plantios seguintes.

No Paraná e no Mato Grosso, a taxa de utilização de sementes certificadas é considerada elevada. Ainda assim, também há registros de uso de materiais ilegais nesses estados.

Diferença entre semente pirata e semente salva

A Abrasem diferencia a chamada semente pirata da semente salva.

Pela legislação, o produtor pode, em determinadas condições, reservar parte da própria produção para utilizar como semente na safra seguinte. Essa prática é conhecida como semente salva e deve seguir as regras estabelecidas para cada cultura.

Já a semente pirata é produzida ou comercializada à margem da legislação, sem atender às exigências previstas para a produção, a qualidade e a comercialização de sementes.

Mercado ilegal causa perdas econômicas e produtivas

A estimativa de R$ 10 bilhões em prejuízos anuais considera os recursos que deixam de chegar às empresas responsáveis pelo desenvolvimento de novas tecnologias e aos cofres públicos, por meio da arrecadação de impostos.

O impacto, no entanto, vai além da perda financeira. O uso de sementes sem qualidade comprovada também reduz o potencial produtivo das lavouras e pode comprometer o resultado econômico das propriedades rurais.

Abrasem defende fiscalização e orientação aos produtores

Para enfrentar o problema, a Abrasem trabalha em parceria com empresas e órgãos públicos para ampliar a fiscalização e levar informação aos produtores.

A entidade também busca aproximar o sistema brasileiro das normas internacionais relacionadas à produção e à movimentação de sementes.

Apesar das dificuldades provocadas pelo cenário econômico e pelo aumento dos custos de produção, a avaliação é de que o agronegócio brasileiro continuará tendo espaço para crescer, impulsionado pela demanda mundial por alimentos.

Para aproveitar esse potencial, será necessário avançar em produtividade, eficiência e sustentabilidade. Nesse cenário, a semente não deve ser vista apenas como um item de custo, mas como um investimento que influencia diretamente o desempenho da lavoura.