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Kussakawa e os pequenos universos submersos

Praticante do aquapaisagismo coleciona premiações nacionais e internacionais. Esse ano obteve o 1.lugar no mundial da Turquia, 2. lugar no mundial dos Estados Unidos e 3. lugar no mundial de Taiwan e China e é tricampeão brasileiro de aquapaisagismo.

Para perceber atentamente o trabalho de Fabian Kussakawa é preciso não apenas sensibilidade, mas uma habilidade para transportar-se aos seus pequenos cenários naturais, submersos em água e pura dedicação.

Adepto do aquapaisagismo, o tecnólogo em informática, encontrou na curiosa prática uma maneira de expressar a arte de transformar aquários em jardins submersos e buscar sossego para os dias estressantes. A técnica de ornamentar aquários data da era vitoriana, quando surgiram os primeiros registros. Mas o aquapaisagismo, é mais recente surgindo em 2001 com o trabalho do fotógrafo japonês Takashi Amano.

Assim, fotografar as paisagens submersas criadas em aquários a partir de paisagismo, alçou voos maiores com a popularização da técnica através de concursos internacionais, criados pelo próprio Amano.

Mas aquapaisagismo parece ainda maior que isso. Para sua prática é preciso conhecimento em diferentes áreas, que passeiam pela botânica, biologia, fotografia, design e muita sensibilidade. “Tem que ter conhecimento para entender o metabolismo de plantas e peixes, entender de algas, temperatura, química, e para flora desde o espectro de luminosidade, temperatura da lâmpada para atender a necessidade da planta pois se não tiver, não irá desenvolver. Precisa ter preparo de nutrientes com substratos e fertilizantes, e depois disso a gente acaba tendo conhecimento para poda, como se fosse bonsai. Unindo os conhecimentos é possível prever o crescimento dessas plantas”, explica o aquapaisagista.

A observação requer tempo e cuidado, claro, muita dedicação. Antes de montar cada aquário, estudos de longo meses são feitos, até materializar o que mandou a imaginação. Além de tudo isso é feito estudo com desenho, e depois aplico em escalas no aquário, envolve regra de terço, estudo sobre parte artística de grandes artistas que fazem a composição fotográfica, além de observação de paisagens na própria natureza. Precisa passar a dramaticidade, a cor”.

Um ano depois de montar seus primeiros aquários, Kussakawa foi convidado a participar de competições. “Na primeira fiquei em 20º, mas no ano seguinte obtive em terceiro. Foi então que senti que poderia participar dos concursos internacionais também”

Fora do país viu também uma maior difusão da prática , especialmente na Ásia e Europa. Em 2018 foi convidado a ser juiz de um concurso na Indonésia, quando observou técnicas apuradas de montagem em tempo real dos aquários. “Foi um aprendizado grande e valioso, conhecer novas técnicas”, comentou.

Além da montagem, uma importante premissa de avaliação dos trabalhos é através de fotografias. As imagens devem representar o que cada trabalho carrega com precisão, e atender a normas dentro de categorias que diferem entre retratos da natureza e formas abstratas da natureza. “Não é só pinçar, colocar e esperar que cresça fazendo fotossíntese dentro da água. É preciso estudo para que consiga manter e encaixar as plantas de forma artística”.

Em tempos de concursos dedica duas horas diárias à prática, Kussakawa já desenvolveu dezenas de trabalhos e integrou competições ao redor do mundo, mas sem patrocinadores. “A maior dificuldade hoje está em divulgar o trabalho no país, e na cidade. Muita gente não conhece”.

Aos curiosos, uma breve visita ao Flickr (https://www.flickr.com/photos/fabianpk/22592349818/) do aquapaisagista já é suficiente para aguçar a curiosidade. Em casa, onde mantém um espaço específico para a prática, aquários de variadas dimensões são montados e desmontados com frequência. “Aqui não consigo vender o que produto, não há mercado”.

Para o artista, o fluxo do trabalho é essencial porque deseja se desafiar, inovar. “As pessoas esperam pelos trabalhos com certo nível de qualidade, a gente acaba virando referência sem querer virar, quando os resultados saíram e isso gerou compromisso com certo padrão de qualidade, vi que era preciso dedicação, desafio. Hoje procuro surpreender as pessoas”.

Reportagem: Daniele Valiente

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